sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Explicações Correntes

O Paulo Prudêncio espera duas explicaçõezitas sobre duas questões que ainda estão por explicar...
E as questões para as quais não lhe ocorre explicação surgiram-lhe na mente, com a clareza de dois raios a riscar o céu em noite de breu, quando se apercebeu que o ME havia dado a conhecer

... números que indicam que as chamadas escolas privadas são mais caras do que as públicas, ao contrário do que se pensava. Há duas questões que se ligam e que devem obter uma resposta clara.


Ao saber desta garantia dada pelo ME, o Paulo somou dois mais dois e, voilá, surgiram as questões:
- Se as privadas recebem maior financiamento que as públicas e paga menos em salários, para onde vão os eurozinhos?
- E a contratação de professores será um processo "limpo", com critério e com vínculo definitivo nas escolas privadas? E as condições de trabalho não serão degradantes? Será justo que o Estado as continue a financiar?
Note-se que o Paulo fundamentou melhor as suas opiniões no facto de ter dirigido uma escola pública.
Não podemos deixar o Paulo tão acabrunhado, envolto em duvidosaneblina.
Vamos lá então às explicações:

Lição nº 1
Se o Governo diz que tem "números que indicam que as chamadas escolas privadas são mais caras do que as públicas", ficamos logo a saber uma verdade: os número que o Governo tem e que nunca divulgou, nem divulga tal seria o descalabro e a perda de confiança, mostram que as escolas privadas são mais baratas que as escolas públicas.
Não precisamos de ir muito longe, Paulo. Veja bem: 1 - O Governo mente sempre, 2 -Se mente sempre, tal significa que quando diz "branco" devemos entender "preto" e assim sucessivamente. Se diz que as privadas são mais caras, ficamos com a certeza absoluta de que são mais baratas, percebeu?
Podíamos chegar à mesma conclusão, no seu caso "explicação", por outra via: se os números que o governo tem fossem favoráveis às suas declarações, há muito os tinham tornado públicos, com fontes e estudos que o demonstrassem. Você conhece algum estudo, relatório ou paper que mostre por a+b qual o preço por aluno nas escolas públicas e nas privadas? Não conhece. Portanto, ou o Governo não os tem (e tem de ter pois é ele que paga) ou os números que tem são uma desgraça de tal monta que nem sequer os mostra. Escolha você.

Lição Nº 2
Nesta lição, depois de demonstrarmos que os alunos das escolas privadas ficam mais baratos aos contribuintes que os das públicas (como acontece com qualquer tratamento médico, por exemplo) procuraremos explicar porque razão as suas duas questões estão mal formuladas.
Comecemos pela primeira.
Os salários que as escolas privadas pagam aos seus professores devem interessar tanto ao Paulo, a mim e aos portugueses como interessa saberem quanto ganha você e eu e os portugueses. Ou seja, não interessa nada. Nem a ninguém. Podia interessar-me um pouco mais saber o que fazer se ganhasse a massa que ganha o Ronaldo. Mas não interessa, porque não ganho. O Estado não tem nada a ver com os ordenados dos trabalhadores do sector privado, desde que paguemos os impostos. Mais valia ao Paulo e ao Estado preocupar-se com os ordenados que paga com o nosso dinheiro. Mas não se preocupam com isso, pelo que se vê...
Mas, podemos ir por outra via.
As massas que o estado transfere para as escolas privadas não têm a ver nem com o número nem com a experiência, nem com a idade dos professores que nelas trabalham. Têm a ver apenas com o número de alunos que as frequentam. Não me diga que não tinha visto isto? Portanto, Paulo, falar em financiamento do ensino privado e em ordenados dos professores...

Lição nº 3
Todos sabemos, especialmente os que têm filhos e filhas professores, com menos de 35 anos, a honestidade, a transparência e a equidade com que são desenvolvidos os processos para as escolas públicas contratarem professores: um autêntico escândalo nacional, à vista de todos e por todos silenciado (não vá faltar a mama...). Não há critérios, não se respeitam procedimentos, nem prazos, nem os mais básicos princípios da ética e da transparência. Ao contrário do sector privado, em que contrata quem paga, no público contratam-se os amigos pagando todos nós. É esta a diferença, nada mais.
Não me deve nada e não precisa de agradecer.
Sempre ao dispor
Reitor

6 comentários:

  1. Viva meu caro Reitor.

    Fizeste-me rir rir. Leio sempre o teu blogue e com muito gosto. Desta vez não respondes a qualquer das questões que coloquei.

    Vá, lê lá outra vez.

    É justa a privatização de lucros no ensino não superior (se fossemos um país civilizado, tirava o não ao superior)?

    É admissível que se contratem professores sem qualquer escrutínio público? A minha resposta às duas questões é não.

    Não respondes. Limitas-te a usar justificações que me levam a acreditar que acabarás num belo lugar no Banco Central Europeu. Vitor Constâncio usou os mesmos argumentos para se defender no caso BPN: havia um clima de confiança, dizia ele, e o BPN pagava impostos. Meu caro Reitor: não é só de impostos que estamos a falar. É de privatização de lucros e de regulação do mercado, meu caro.

    Em relação à contratação de professores, socorres-te de dois aspectos: retratas como pouco eficientes os concursos para as escolas públicas e lanças mão de critérios que nos remetem para os factores de personalidade dos professores. Ora, que raio de argumentação. Só quero saber uma coisa: uma escola com contrato de associação com o estado, deve ou não ter critérios públicos e transparentes para a contratação dos seus profissionais?

    Os teus argumentos vestem que nem uma luva o despautério na contratação de assessores, e de outros profissionais, para as empresas públicas e não posso estar mais em desacordo. E podia socorrer-me de outros exemplos.

    Começo a convencer-me que a situação é bem pior do que se podia imaginar.

    Forte abraço.

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  2. E tens a alimentação da polémica em
    http://correntes.blogs.sapo.pt/876338.html

    Aquele abraço.

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  3. É muito dificil perceber como é que uma empresa é privada quando vive exclusivamente de dinheiros públicos...
    É o o caso das chamadas escolas privadas que são totalmente pagas pelo dinheiro público - pagas pelo ME.

    O recente medo dos cortes nos pagamentos fez vir muitos dirigentes dessas escolas dizer que "terão de fechar"...

    A verdade veio ao de cima...

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  4. Quando no coração da social-democracia "avançada", se promove a liberdade de escolha, a diferenciação entre escolas através de financiamento público e, suprema heresia, a eventual obtenção de lucros, custa-me ver como ainda se possa estar preso à ortodoxia dos anos 70. Ver, por exemplo, aqui e aqui

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  5. Viva caro Eduardo.

    São exactamente essas as questões que coloco. Basta dar uma vista de olhos pelos vídeos que correm por aí sobre as condições dos parlamentares suecos e tirar conclusões. Transparência, equidade, parcimónia no uso do dinheiro dos contribuinte e verdadeiro serviço público como as ideias chaves do mercado. Sabe em que pensão ficou alojado o líder do IKEA em Lisboa? Lembra-se do espanto que isso criou em Portugal? É precisamente por isso que Portugal e os países da europa do sul estão na falência. Os suecos não têm analfabetos desde o século XIX. Não comparemos o incomparável.

    Abraço.

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