
O Paulo insiste
aqui, mais uma vez, na tese da interpretação da LBSE: segundo ele, interpreto-a mal. Leio o que lá não está. E o Paulo, obviamente, interpreta-a correctamente. Esclarecedor.
Mais abaixo, no mesmo post, em resposta a um comentário de Júlio Coelho,
PG afirma: "
Mas tentem lá acabar com as eleições e a redefinir o que é um processo democrático, para me verem a rabiar".Será daqui que lhe vem a confusão? Será que é o substrato conceptual de processo democratico que nos divide nesta questão?
A eleição, aliás, é pedra basilar que assegura a democraticidade de qualquer sistema de governo. Governo de países, de escolas e de outras organizações. Embora seja condição sine qua non para classificar de democrático qualquer sistema de governo, não é a única condição, nem de longe nem de perto.
Portanto, Paulo, eu também defendo a tese de que para haver democraticidade no "governo das escolas" são necessárias eleições. Não deve ser, pois, o conceito que nos divide.
O que nos divide são duas pequenas questões:
Primeira - penso que V. sabe, embora reconheça que, neste caso, lhe é mais útil fingir que não sabe, que a democracia nas escolas e a democraticidade do modelo de administração, direcção e gestão não se aferem pelo número de actos eleitorais que nela se realizam.
No quadro de um modelo democrático de administração e direcção e gestão das escolas, a eleição só faz sentido para se escolher o "governo" da escola. Todos os outros actos eleitorais que se queiram fazer (e que se fazem em algumas escolas nos dias de hoje) são inúteis e atentam contra o "governo" (eleito democraticamente) das escolas pois criam contrapoderes estéreis, não têm qualquer legitimidade perante os verdadeiros interessados na escola, empatam e desresponsabilizam, tal á a atomização de poderes e de "legitimidades".
Veja como, sabiamente, os alunos não elegem os seus professores, nem os seus Directores de Turma; veja como os professores do Conselho de Turma não elegem os respectivos Directores de Turma; veja como os funcionários não elegem os chefes; veja lá como os pais, de longe os principais interessados nas escolas, não elegem os professores dos seus filhos...São até meia-dúzia a eleger o Conselho Executivo.
Os próprios "pais da pátria" puseram-nos a eleger deputados e, veja lá, todo o país é governado por pessoas - mais e menos importantes, em altos e em baixos cargos - a esmagadora maioria não eleitas...
Mesmo sendo governados por ministros MLR, secretários de estado (Valter "excesso de faltas" Lemos e Jorge "Sinistro" Pedreira), e directores que NUNCA foram eleitos para nada, continuo a achar que vivemos num país democrático.
Mesmo tendo de respeitar leis e regulamentos que me são impostos por burocratas sentados em todas as "lojas do poder" espalhadas pelo o país, continuarei a dizer que o nosso sistema de governo é democrático.
Você percebe isto muito bem... só que, não me leve a mal, não convinha, não é assim?
Segunda questão que nos divide e que, nitidamente, você tudo faz para que fique esquecida: NUNCA, em momento algum, a LBSE exige eleições para a Admistração e Gestão das Escolas. Apenas o exige para a Direcção.
Era isto que eu esperava que você refutasse. Você ficou-se a tentar perceber quais as minhas leituras: "a leitura de um advogado em defesa de uma causa ou uma leitura política" dizia, esquecendo que todos temos as nossas leituras. A sua leitura sobre este assunto é, ela também, uma leitura interessada.
Não conto com bandeira branca...
Reitor