quinta-feira, 11 de março de 2021

Não Inventem!

«A reversão da decisão encerra o assunto? Não sem antes se sublinhar duas conclusões. A primeira é a óbvia desorientação de quem toma estas decisões ziguezagueantes e inconsistentes. Acaba por ser até intrigante imaginar o que leva um Conselho de Ministros, após um ano de pandemia, achar acertado contradizer-se face ao que dissera antes e excluir uma parte dos alunos e dos professores dos apoios para cumprir as regras de desconfinamento — com óbvio prejuízo para a saúde pública.
A segunda conclusão é que, no debate político, não somente não nos livramos dos velhos preconceitos contra o ensino privado como temos um Estado que os promove. Seja na oferta dos manuais escolares somente para os alunos do ensino público. Seja na aquisição de equipamentos (computadores e ligação à internet) no âmbito do programa Escola Digital, que não prevê distribuição de kits para os alunos do ensino privado (e que inicialmente até excluiu os dos contratos de associação, situação posteriormente rectificada). Seja no tom crítico com que o Governo se referiu em Janeiro ao ensino privado — proibindo-o de dar apoio aos alunos e depois dando o dito por não dito. Seja agora no acesso aos apoios para a testagem de professores e alunos. Em vez de uma visão integrada do sistema educativo, as decisões e o discurso do Estado geram afastamento e colocam o ensino privado numa ilha à parte do sistema educativo».

OBSERVADOR


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